Brasileirão, o campeonato da regularidade

Apesar de ainda encontrar muita resistência entre torcedores e profissionais do mundo da bola, a atual fórmula de disputa do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, que tem na sua essência a valorização da vitória, ao que tudo indica veio definitivamente para ficar e, a cada nova edição, fica claro que, para as equipes não ficarem perdidas na tabela de pontuação, como uma alma errante a procura do céu ou do inferno, é obrigatório durante toda a competição procurar aquilo que é a marca registrada do certame: a regularidade.

Iniciada em 2003, em substituição ao tradicional sistema de mata-mata, a leitura da edição de 2011 por pontos corridos - a mais concorrida de todas - nos diz que finalmente as agremiações aprenderam a lição de que não existe outro caminho a ser seguido em busca das primeiras colocações, e a árdua tarefa de aí se permanecerem, se não trilharem pelo ritmo da regularidade, o que explica, em grande parte ou mesmo em sua totalidade, a poucos rodadas do fim do Brasileirão, termos um contingente expressivo de clubes disputando ponto a ponto o tão desejado primeiro lugar e as vagas de acesso a tão sonhada Taça Libertadores da América, algo inexistente em edições anteriores, e que podemos afirmar, sem ajuda das cartas do Tarô, que estará presente também em edições futuras.

Em um campeonato, onde os números falam mais alto do que qualquer palavra, o vocábulo "regularidade" é um intruso na matemática de técnicos e jogadores, mas essencial para esquentar a frieza dos algarismos e conferir, para o clube que o adota como mantra no suado cotidiano da pelota, o segundo termo mais procurado nos motores de busca do Brasileirão: a competitividade.

Não há planejamento idealizado pelas mentes brilhantes dos cartolas que resista, em um torneio de pontos corridos, a ausência do interdependente binômio regularidade/competitividade que, sem sombra de dúvidas, é a verdadeira vitrine dos campeões dessa interessante forma de disputa. Basta um olhar de relance sobre o comportamento do campeão Corinthians ou mesmo do segundo colocado Vasco, no Campeonato Brasileiro de 2011, para compreender o sorriso aberto de seus administradores.

O formato de pontos corridos ainda está muito longe de ser uma unanimidade, mas com algumas mudanças pontuais, por exemplo, como na edição deste ano, que privilegiou a rivalidade dos grandes clássicos estaduais exatamente na última rodada, acertando de uma vez por todas as arestas da desgraça do famigerado entrega-entrega, aos poucos vem ganhando a simpatia dos mais céticos ao sistema, e não tardará para que, num futuro bem próximo, todos estejam finalmente familiarizados com essa forma de disputa, que é simples, coerente e, principalmente, justa com o vencedor.

Ou existirá alguém capaz de jogar pedra no campeão, questionando sua legitimidade, em um campeonato onde o fator sorte recebeu um belo cartão vermelho, e que foi organizado e ajustado para coroar o mais competente, aquele que, dentre os inúmeros competidores, entendeu muito bem a importância da regularidade, da primeira até a derradeira rodada, traduzindo eficiência e competitividade?

Parabéns ao grande merecedor deste ano e a seus milhões de seguidores, que, infelizmente, tiveram que dividir o título entre a terra e o céu, provando, mais uma vez, que esse coração é um eterno sofredor, mas que nunca sai do compasso, porque toda alegria ainda é pouco.









3 comentários:

Blog Teia disse...

Olá Wagner
Post divulgado no blog Teia.
Até mais.

Tassia Fantini disse...

Muito bom! Adorei o texto!

Wagner Coelho disse...

Valeu, Tassia. Volte sempre. Abraço.

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