A despedida de um Santo arqueiro

Exceto a despedida definitiva do encerrar dos olhos, quando o coice da morte impetuosamente esmaga o coração e como um ferro em brasa risca a face de quem fica com dolorosas lágrimas de um último adeus, todas as demais são regadas com lágrimas de um possível reencontro, cedo ou tarde, não importa.

Ao anunciar, oficialmente, nesta quarta-feira, 11 de janeiro, que a sua vitoriosa vida que construiu, nas últimas duas décadas, sempre trajando as cores do Palmeiras, com muito arrojo, dedicação, sofrimento, sabedoria, paixão, e, principalmente, um talento ímpar em defender bolas indefensáveis, que o consagraram como um goleiro quase perfeito - daí a sua fama de Santo - chegou ao fim, Marcos, sob aplausos de todas as torcidas, ascende ao Olimpo do futebol brasileiro, defendendo, agora, a imortal cadeira de número 12.

A vida, que adoramos cultivá-la, em muitas ocasiões parece não ter o menor apreço conosco, basta observar que, a cada novo dia, impiedosamente ela nos apresenta, em conta-gotas, as aparências da sua companheira mais fiel. A morte.

O Santo arqueiro palmeirense, que não teme a morte, mas que sente o peso de seu cajado, impedido de realizar as tarefas do seu trabalho, que um dia fizera de olhos fechados, entendeu - como poucos entendem - que a sua brilhante carreira profissional dedicada ao futebol morreu, acabou. As aparências desta morte não são de hoje, elas já estavam expostas no seu sofrido semblante, com marcas de expressões que insistiam criar morada em seu rosto, nas incontáveis lesões do seu corpo e na irreparável fratura da sua alma de homem esportivo.

Marcos, em vida, despede-se da sua própria vida. Uma vida enterrada com um pronunciamento marcado por um coração em frangalhos, olhos repletos de lágrimas de saudades, que viraram ouro para cobrir a história de um grande homem e fogo para cauterizar toda má palavra dirigida a sua pessoa. Uma biografia que descansará em paz, abrigada pela sombra eterna do clube que, com enorme respeito e competência, soube honrar, com sua marcante personalidade, a sua linda bandeira. O grande Palmeiras. Uma justa proteção.

Foto Gazeta Press
A vida de um Santo arqueiro, infelizmente apresenta o seu ponto final, explicada pela ciência do esporte com a razão; eu, um Zé Ninguém, a defino como uma puta sacanagem. Mas outros parágrafos da vida desse exemplo de jogador ainda serão escritos longe das traves. E não se acanhe em deixar rolar o seu choro quando vê-lo novamente, cedo ou tarde, de modo informal nos gramados. Será o pranto do feliz reencontro. Do reencontro de Marcos com as luvas, com a bola e com a torcida. Esta de qualquer cor, não importa.

Marcos, simplesmente obrigado. Por tudo.

O real reconhecimento de um homem é calculado no exato momento de sua eterna despedida, seja ela real ou aparente.





3 comentários:

Pablo Santos disse...

Marcos é um ídolo de todos os amantes do futebol. Um goleiro excepcional e um ser humano especial. Como jogador teve distacada a habilidade e a agilidade debaixo das balizas, e como pessoa, um cara sempre bem-humorado, boa praça, humilde e respeitador de todos que sempre estiveram ao seu redor. Não se importou e nem quis ir á Europa e ganhar rios de dinheiro, como 99% dos atletas fazem quando atingem o ápice de sua carreira. Ficou no Brasil e conquistou fãs, admiradores. Parabéns Marcos, você fará muita falta no Palmeiras e no futebol brasileiro. Adeus!

Parabéns pelo texto Wágner.

porpabloparaosapaixonadosporfutebolblogspot.com

Wagner Coelho disse...

Pablo, concordo plenamente contigo. Feliz 2012 e obrigado pela participação.

Blog Teia disse...

Olá Meu amigo.
Toda sorte do mundo para esse grande goleiro.
Post divulgado no Teia
Até mais

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