Flamengo: um time sem comando

A poucas horas de enfrentar o Real Potosí e decidir sua passagem para a fase de grupos da Taça Libertadores da América, o Flamengo, na realidade, está sem comando técnico.

Virtualmente, à beira do gramado do Engenhão, na noite desta quarta-feira, o clube contará com a presença do técnico Vanderlei Luxemburgo que, mesmo que venha a ter sucesso frente a fraca equipe boliviana, não poderá assinar a classificação do rubro-negro para o Grupo 2 da mais importante competição de clubes da América do Sul.

O ex-engravatado Luxemburgo é, e ao mesmo tempo não é técnico do Flamengo. Uma dicotomia resultante da incompetente política transversal do futebol brasileiro, que ainda não está apta a enfrentar os enormes desafios imposto pela mercantilização do futebol e tampouco está preparada para enfrentar as divergências de ideias oriundas de crises de quaisquer natureza.

Não é possível, às veśperas de um jogo decisivo, como será o jogo desta noite para o Flamengo, que o clube da Gávea admita publicamente - como revela reportagem do Globoesporte.com - que vem mantendo contato com o técnico Joel Santana, hoje no Bahia, e com Renato Gaúcho, atualmente sem clube, para uma iminente substituição ao técnico Luxemburgo.

O cerne da questão não é discutir se Joel ou Renato são melhores ou piores do que Vanderlei, isto é pura perda de tempo de atividade neural, para não dizer burrice mesmo. O que se discute é: É oportuno, nesse momento, rifar a cabeça do atual treinador? Na minha concepção não! É interessante para o plantel observar as orientações de quem, claramente, já não tem voz? Na minha concepção não!

Enfim, uma situação despropositada por parte da presidente Patricia Amorim e de seus confiáveis asseclas, que, ao invés de usarem a cabeça para solucionar a crise, preferem, como manda o figurino do amadorismo do futebol brasileiro, destilar a maldita verborragia de sempre.

São momentos como esse que se torna oportuno levantar a velha, mas sempre nova questão sobre a profissionalização da gerência do futebol brasileiro. Futebol é sim paixão, mas nas arquibancadas. Longe delas a meritocracia é o verdadeiro remédio contra esses discursos contraproducentes dessa triste linguagem da cartolagem brasileira.

A poucas horas de enfrentar o Real Potosí e decidir sua passagem para a fase de grupos da Taça Libertadores da América, o Flamengo, na realidade, está sem comando técnico, dentro e fora dos gramados.


E, para quem não tem comando, o negócio é se apegar na sorte.

Então Flamengo, boa sorte.


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